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Estátua falsa, de Mário de Sá Carneiro

Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha'alma desceu veladamente.

Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distância.

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!

Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar...

Mário de Sá Carneiro
Paris,1913

Não sou grande apreciadora de poesia, sobretudo porque não a compreendo facilmente.
Esta parte da literatura em que as palavras não querem dizer, o que normalmente querem dizer, confunde-me.
Mas gosto muito de teatro e achei muito interessante o ritmo que este poema tem, sobretudo na terceira estrofe.
O sujeito poético (olhem só quem está a prestar atenção às aulas de Português!) vai de expositivo, para desesperado, zangado, até chegar a conformado com a sua situação e percebemos isto também através do ritmo do poema.




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